O caminho que funciona é formar um professor que já está na escola, e não contratar um especialista de fora. O perfil certo importa mais que a formação de origem: precisa gostar de resolver problema, aguentar não saber a resposta na frente da turma e ter disposição para montar coisa. A formação inicial precisa de carga concentrada, na casa de uma imersão de dia inteiro, seguida de acompanhamento continuado durante todo o ano.
Quero formar o professor da minha escola
Por que formar quem já está na casa
A reação natural do gestor é procurar um professor de informática ou um profissional de TI. Costuma dar errado por dois motivos.
O primeiro é que dominar tecnologia não é dominar sala de aula. Um desenvolvedor experiente pode ser péssimo com uma turma de 20 crianças de 8 anos, e essa parte não se resolve em treinamento.
O segundo é rotatividade. Profissional técnico tem mercado aquecido e sai fácil. Professor que já é da escola tem vínculo, conhece os alunos e as famílias, e provavelmente continua no ano seguinte.
Ensinar tecnologia é 30% conteúdo técnico e 70% condução de sala. A escola já tem o difícil resolvido, que é a parte de sala.

Qual perfil escolher
Três sinais valem mais que o currículo:
- Gosta de resolver problema e não se incomoda de errar tentando
- Aguenta dizer não sei para a turma e descobrir junto, porque isso vai acontecer toda semana
- Tem alguma prática de montar coisa, seja marcenaria, costura, culinária ou eletrônica
O segundo é o mais decisivo e o menos avaliado. Em robótica o professor vai travar na frente dos alunos, garantido. Quem precisa parecer que sabe tudo sofre e transmite ansiedade para a turma.
Quem trata o travamento como parte do trabalho ensina, ali mesmo, a competência mais importante da disciplina.
Professor de Matemática e de Ciências costumam se adaptar rápido, mas já vi professor de Artes ir muito bem, porque a lógica de projeto é parecida.
O que a formação inicial precisa cobrir
Formação de professor para Computação não é treinamento de plataforma. Treinamento de plataforma leva duas horas e não forma ninguém.
O que precisa estar dentro:
- A metodologia e a lógica da trilha: por que cada conteúdo entra naquela série e não em outra
- O conteúdo técnico do nível que ele vai dar, com ele fazendo os projetos antes dos alunos
- Condução de aula de projeto, que é diferente de aula expositiva
- O que fazer quando trava, incluindo o roteiro de como conduzir sem resolver no lugar do aluno
- Avaliação, porque projeto se avalia diferente de prova
O segundo item é inegociável. Professor que não montou o projeto antes não consegue prever onde a turma vai travar, e aula de robótica é feita de antecipar travamento.
Na The Future School 4.0 essa formação inicial é uma imersão de 9 horas, concentrada, antes de o professor assumir a turma.
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O que acontece depois, que é onde a maioria falha
Formação inicial sem acompanhamento produz professor que sabe dar as primeiras aulas e trava no meio do ano.
O acompanhamento continuado precisa de três coisas:
Encontro periódico com outros professores. Compartilhar o que travou vale mais que qualquer material, porque o problema de um é o problema de todos daqui a duas semanas.
Canal para dúvida no meio da semana. Professor que trava na terça e só tem suporte no mês seguinte improvisa, e improviso vira hábito.
Atualização de conteúdo. Principalmente em inteligência artificial, onde material de 18 meses atrás já está velho.
Na rede, essa continuidade é mensal, entre encontros síncronos e material assíncrono. É o que diferencia formar professor de dar um curso para ele.
Como saber se a formação funcionou
Três verificações práticas, nos primeiros 90 dias:
- Aos 30 dias, o professor conduz a aula ou lê roteiro. Se lê, a formação foi insuficiente e ainda dá tempo de corrigir
- Aos 60 dias, quantos alunos concluem o projeto dentro da aula. Menos de 8 em cada 10 indica turma grande demais ou material fora do nível
- Aos 90 dias, ele já propôs alguma adaptação própria, sinal de que domina e não só executa
O terceiro é o melhor indicador de todos. Professor que começa a sugerir variação do projeto entendeu a lógica da trilha.
Professor que segue o roteiro à risca no nono mês ainda está operando, não ensinando.
Sobre a escola
Sobre a The Future School 4.0: escola de tecnologia para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, com trilha em games, robótica, aplicativos e inteligência artificial. Fundada em 2018 em São José do Rio Preto, hoje tem unidades em quatro estados. Em 2026 projetos de alunos da escola foram premiados na Olimpíada Brasileira de Tecnologia e a escola ficou em 1º lugar na Semana da Escola Avançada de Tecnologia, resultado que garantiu uma imersão em Boston em 2027. A rede participou do Shark Tank Brasil e mantém o currículo em atualização contínua, incluindo os módulos AI Architect de inteligência artificial.
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Perguntas frequentes
Quem deve dar aula de Computação na escola?
Um professor que já está na escola, formado especificamente para isso. Ensinar tecnologia é cerca de 30% conteúdo técnico e 70% condução de sala, e a escola já tem resolvida a parte mais difícil, que é a de sala.
Quantas horas de formação um professor precisa?
Uma imersão inicial concentrada, na casa de um dia inteiro de trabalho, mais acompanhamento continuado durante todo o ano. Na The Future School 4.0 a formação inicial é de 9 horas, seguida de encontros mensais.
Que perfil de professor se adapta melhor a robótica e programação?
Quem gosta de resolver problema, aguenta dizer que não sabe e descobrir junto com a turma, e tem alguma prática de montar coisas. Professores de Matemática e Ciências costumam se adaptar rápido, mas o perfil pesa mais que a disciplina de origem.
Falar com o time de escolas parceiras
João Aleixo
Fundador e CEO da The Future School 4.0, escola de tecnologia para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Levou a rede ao Shark Tank Brasil e conduz a expansão nacional da marca.
Design de Games pela Anhembi Morumbi, MBA em Gestão pela PUCRS, especialização em Psicologia do Desenvolvimento pela PUCRS, Neurociências pela FAAP e Design Thinking pela Echos.
